10352574_1241148739246858_7679362169278865471_n

Ser feminista me tornou “uma pessoa pior”, mas nunca me avisaram que isso iria acontecer. Eu não nasci feminista, não cresci feminista, muito pelo contrário. Passei uns bons 15 anos diminuída, calada e minimizada. Cresci julgando outras garotas, minhas irmãs. Cresci me censurando, tentando me comportar do jeito que eu precisava, tentando me assegurar que não estivesse fazendo nada de errado, que eu estivesse impecável.

Impecável, com as pernas cruzadas, cabelo penteado, roupa passada, unhas compridas – que eu nunca consegui, por causa da ansiedade que sempre me acompanhou. Cresci escondendo minhas falhas, diminuindo as minhas dores e fechando a minha boca quando o que eu realmente queria fazer era gritar. Na verdade, a vida toda escutei “fala baixo”, “senta direito”, “olha a postura”, “sua roupa está amassada”, “você tem que parecer uma princesa”.

Princesa que até pouco tempo só tinha um objetivo: achar seu príncipe. Depois daí, ninguém sabe. Se casava, tinha filhos, se o principe era legal, se ela era feliz, isso não importava muito. O que importava era achar alguém para se completar, como se a Bela não fosse completa com seus livros, a Mulan não fosse completa lutando pela China, ou até a Pocahontas completa com as cores do vento. Nossa completude, desde pequena, se encontra em um homem. Não em mim, ou em você, não em uma outra mulher ou em conhecimento. Em um homem.

Aí eu cresci. Não muito, mas o suficiente para encontrar outras mulheres no meio do meu caminho, para sentar comigo e conversar sobre o que é ser mulher e sobre o que é doer por ser mulher. Até então, eu estava bem. Até então, não sentia dor. Não via problemas, não sentia o pesar de ter o mundo nas minhas costas. Mal sabia que não era nem livre, nem mulher.

06d87e23f338355a6c183d047ad5bd11

Todos sabemos que é muito difícil sair da zona de conforto. Mas não foi isso que o feminismo me trouxe. O feminismo me trouxe dedos apontados na minha cara, uma nudez inédita e um peso gigantesco. O feminismo arrancou o filtro cor-de-rosa que eu usava para enxergar o mundo. O feminismo me fez ver uma realidade que antes não via, mas existia nela, perpertuando padrões pesados e que eu nunca pedi para ser encaixada.

Vocês me vêem apenas como alguém que escreve, do outro lado da tela, mas eu vou me descrever pra vocês: eu não sou alta; não enxergo direito, então estou sempre com óculos. Meu cabelo não é liso, nem cacheado e muito menos aquele ondulado de novela, ele é um cabelo totalmente comum. Assim como meus fios, meus olhos são escuros. Eu não sou magra. Não me encaixo nesse padrão. E mesmo quando eu me encaixava, quando eu pesava 50 quilos, escutava o tempo inteiro que era gordinha. Mesmo magra, eu era gorda. Nunca estava nos padrões que nunca pedi pra ser encaixada.

Nunca pedi, mas fui. Nunca quis, mas me forçaram. Engoli a seco esteriótipos, padrões, missões e destinos. E não foi só eu. Somos todas nós. Mulheres, meninas. Desde sempre.

O problema é que durante anos, não via outras mulheres como “eu”, via outras mulheres como “elas“, como oponentes, como adversárias. Não que eu tivesse mais amigos homens, mas eu repetia muito que “preferia ter amigos que amigas, porque as meninas são muito fúteis e falsas”. Mas também, como não ser? Como sair desse circulo vicioso de competição que somos colocadas desde criancinhas?

14a948645c6bc1f334e2c4d7ae3c4546

Com o tempo eu entendi. Comecei a notar que garotas não são fúteis e falsas, mas são espelhos de mim mesma. Em cada menina que eu competia, existia uma Giovanna: ansiosa, insegura, cheia de problemas e preocupações, uma vontade gigantesca de ser e pouco suporte pra isso. Foi a partir daí que eu entendi que não dava pra continuar praticando o ódio gratuito e a competição sem objetivo algum.

Mas não dá para dizer que esse é um processo fácil. Sair de qualquer zona de conforto é complicado, um processo lento e doloroso. Agora imagina quando o circulo de pessoas que me encontro diz que é assim que tem que ser, e pronto-acabô. O lugar de mulher é na cozinha, na lavanderia, cuidando da casa. Lugar de mulher é onde ela quiser, mas até você se livrar das amarras e ir pra qualquer lugar, iiiii, é difícil.

Mas é possível.

E é preciso.

Ser feminista, me tornou mulher.

803705935_4780146629615576041

Há mais ou menos duas semanas, eu vim até aqui, para contar uma ideia que eu tive: responder “cartinhas” de migas e migos que estavam com dúvidas sobre um determinado assunto. Fiquei muito feliz com a quantidade de e-mails que recebi, com histórias muito bonitas e outras que me deixaram com o coraçãozinho apertado, por não poder fazer muito em situações não tão legais que rolam.

E por causa disso, estou tentando gravar a maior quantidade de videos que consigo, liberando uma vez na semana. Mas sendo bem sincera, tô com medo de ficar repetitivo, então vou intercalar com outros videos, ok?!

Pois então, as duas primeiras cartinhas se ligam por serem dilemas “de vestibular”, ainda que não sejam muito iguais. A primeira cartinha é de uma menina muito querida que perdeu o padrasto dela e isso a deixou muito triste, que acabou fazendo com que ela não entrasse na faculdade, porque não conseguia se dedicar o suficiente. Com isso, ela viu todas as amigas dela entrando na faculdade, vendo todo mundo viver a vida deles, e acabou se sentindo que “foi deixada para trás.

Já a segunda cartinha, é de outra menina querida que não sabe pra quê presta vestibular, que se sente muito confusa e que os pais acabam a pressionando para fazer Medicina ou Direito, sendo que se ela “pudesse escolher”, faria Design Gráfico. Ela também tem dúvidas sobre se mudar para uma cidade maior, como São Paulo, ou algo assim. Ela estava bem tristinha sobre o assunto e eu espero que tenha ajudado!

Só deixando (mais uma vez) claro que eu não sou psicóloga, bem longe disso, mas achei que seria uma ideia para ques está com dúvidas, escutar opiniões de alguém que é “neutro” e que pode ver os problemas de fora. Eu adorei responder essas perguntinhas e caso você esteja com uma dúvida, pergunta, ou só queira conversar, é só mandar um email para contato@avecgigi.com. Eu não divulgarei o nome de ninguém, exceto se a pessoa pedir. Estou aqui de coração, porque somos mais quando nos abrimos ao demais (:

1925272_10151954353802314_1556794269_n1

créditos: http://lucyknisley.com

Sempre tive medo de me considerar nerd e dizer em voz alta “oi, sou nerd”. Na verdade, sempre falei coisas como “eu gosto de algumas coisas nerds”, ou raramente “eu sou meio nerd”, mas dizer “oi, meu nome é Giovanna e eu sou nerd” nunca

Nunca tinha parado pra pensar o motivo, mas me lembro de uma das únicas vezes que disse isso em voz alta e um “colega” (homem, de 20 anos) riu da minha cara, como se dissesse que eu “não poderia ser nerd”, como se meninas não fossem “nerds de verdade”.

Então, eu que apresentava um podcast sobre Doctor Who há pelo menos 2 anos, que nasci cercada de HQs, que gasta uma quantia bacana nessa “industria”, não era considerada ser “merecedora” de ser parte dessa comunidade por ser menina.

Desde então, nunca mais me ocorreu me intitular nerd, mesmo consumindo e vivendo essa cultura 24 horas por dia e 7 dias por semana. Eu fui silenciada, reduzida à minha condição de mulher que basicamente é: não me enfiar em um espaço que não sou bem vinda e que possivemente seria oprimida. Porém, o jogo virou, meus caros.

Ontem a minha internet explodiu. Fui dormir sabendo que ia acordar e teria muita coisa pra ler/ver. O que aconteceu foi, o Anticast publicou o podcast 198 – O Machismo (e outras coisas) no mundo nerd. No qual o Ivan resolveu abrir um espaço para discutir o que fingiam que não existia. E ele não fez só isso, ele mostrou e fez uma coisa que é muito difícil: ver que seus (e os meus) “ídolos” estavam ajudando na manutenção desse “”espaço”” machista que é o mundo nerd. E quando eu digo ajudando é não só fazendo uma piadinha machista a cá e acolá, mas não se pronunciando ou não fazendo nada para que esse machismo parasse. Inclusive, a inércia de um dos meus podcasts preferidos, acabou fazendo com que o Pink Vader encerrasse suas atividades.

Eu, inclusive, fiz uma lista recentemente contando quais eram meus podcasts preferidos e lá estava o Nerdcast. Para vocês terem uma ideia de quão fã e eu sou deles, eu dei uma ~choradinha~ quando encontrei o Azaghal pela primeira vez, porque ~sou dessas~. Eles produzem um conteúdo muito bom, mas que dá uma grande derrapada diversas vezes nesse quesito (e em vários outros). Não vou apontar dedos, o que eu quero fazer aqui é dizer o meu lado.

Sendo uma mina que gosta da cultura nerd, eu sempre carreguei nos ombros um medo gigante de ser uma farsa, de ser diminuída por algum menino. Sempre me senti na obrigação de saber muito sobre determinado assunto, para que não me falassem que eu “não era nerd” por não saber um determinado fato (que na maioria das vezes ninguém sabia). Ser uma menina que “gostava da cultura nerd”, sempre me colocou um peso de que eu precisava ser perfeita, porque havia uma cobrança de saber tudo, de estar sendo investigada o tempo todo, porque não há como uma menina gostar de X-Men ou de Star Wars ou de Doctor Who quanto um homem. Lembro até hoje quando topei participar do podcast do Universo Who, morrendo de medo de “meter meus pés pela mão”, ou algo assim. Por sorte, o Matheus sempre foi um cara incrível que sempre me incentivou.

e913835d15fc59871ddee4bf30001108

ilustra linda e maravilhosa da também maravilhosa Duds!

E não para por aí… Ontem mesmo, eu fui jogar video game com uns amigos e eu ganhei. De todos. Estávamos jogando “Injustice: Gods Among Us” e ganhei 3 das 4 vezes que joguei (perdi para ume menina!). Joguei com a Harley Quinn, porque eu tenho um trato comigo mesma que só jogo com personagens mulheres quando há a opção (que são raríssimas vezes, já que somos super mal representadas nos games). Mas, enquanto eu ganhava dos meninos, via o desespero na cara de cada um por “estarem perdendo de uma menina”, coisa que não é a primeira vez que eu presencio. Inclusive, quando jogo Mortal Kombat com o meu namorado e com o meu cunhado, sempre jogo com a Sonya Blade (e eles não fazem mais essa cara porque já desconstruí).

E olha, eu acho que um dos grandes motivos pra não termos tantas meninas ganhando de meninos no video game é porque temos “vergonha” e “medo” de entrar nesse mundo por causa desse machismo todo. Hoje, parando e pensando, eu acho a Malena uma puta de uma mina forte por ser uma grande YouTuber no meio de uma cultura machista e repressora. Tem tanta mina aí que tem que esconder que é garota pra conseguir jogar online e não ser abusada por outros jogadores…

Queremos mais representantes-mulheres na cultura nerd. Tanto nos games, quanto nos HQs e nos cinemas (e em Doctor Who!). E queremos que essas representantes não sejam erotizadas, queremos alguém para as minas e não mais um objeto de desejo dos homens. Não queremos mais roupas coladíssimas, corpos sensuais e uma Princesa Leia escrava all the time. Queremos mulheres fortes, queremos (mais) jogos protagonizados por mulheres. E mais do que isso: queremos nos intitular nerds sem ninguém meter o bedelho e tentar regular o que a gente gosta e deixa de gostar! Queremos ser livres pra gostar do que gostamos.

9781941367032in01gp-600x243

Eu fico extremamente aliviada pelo Ivan ter dado o espaço pra discutirmos algo que todo mundo fazia vista grossa, fingia que não via. E eu espero, de coração que não só os podcasters, mas sim todos os nerds aprendam que as minas também podem! E não só como podemos, mas que vamos continuar nos intitulando nerd. E obrigada, de novo, Ivan, por ter me dado a coragem de me chamar de nerd de volta (: _inclusive, ontem fiquei na fila até meia noite para conhecer os novos produtos de Star Wars e fiquei triste por nós, meninas, sermos menos de 10% das pessoas na fila ):

******Por favor, não deixem de escutar esse Anticast (e todos os outros) e dar uma atenção especial para podcasts feito por garotas, como é o caso do Mamilos!******

Há muito tempo atrás postei um teaser de um projetinho muito legal, o It’s Girls’ Time. Mas, achei que o tema não tinha interessado ninguém e, somado com a minha falta de tempo, acabei não editando e gravando mais vídeos. Porém, umas meninas me pediram e consegui dar um jeito de editar um video que tinha gravado com a Stephanie, do Chez Noelle!

Pra quem não conhece o projeto, o It’s Girls’ Time é  uma série de vídeos feito para as meninas contando um pouco mais sobre o feminismo e sobre o papel da mulher na sociedade! Nessa edição nós contamos como nos descobrimos feministas, como a sororidade é um exercício diário, se dá pra ser feminista e usar maquiagem, e entre outras coisas legais!

divider

Textos e sites comentados no video:

– http://thinkolga.com/
– http://www.revistacapitolina.com.br

Material “extra”:

– http://thinkolga.com/2013/05/28/nao-me-diga-como-ser-feminista/
– http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2013/01/guest-post-o-feminino-indumentaria-e-o.html

divider

Só reforçando o recado: assinem o canal e divulguem… Pode parecer bobo para vocês, mas tenho certeza que nosso “tempo” juntas pode ser muito valioso para algumas pessoas que estão precisando se empoderar um pouquinho! Também queria pedir para que deixem perguntas e sugestões, isso pode parecer “bobo”, mas vai me ajudar MUITO mesmo! O feedback de vocês é sempre muito importante, ou vai parecer que “estou falando sozinha”.

Lembrem-se: o It’s Girls’ Time é o nosso tempinho para conversar sem sermos interrompidas e/ou julgadas. Então aproveitem esse espaço de girls power! E claro, não esqueçam de me contar o que acharam e também quais são os temas que gostariam de ver no próximo video da série!

Mil beijos :*

Me acompanhe também em: 
Fanpage  Instagram Youtube  Twitter  Bloglovin’

O It’s Girls’ Time é uma ideia que vem se formando há algum tempo na minha cabeça… Eu sempre fui uma mulher de opiniões fortes e ~concretas~ e, tirando alguns vlogs gringos, nunca tinha visto alguém sentando para conversar coisas importantes. Não que eu acredite que falar sobre maquiagem, moda, fazer tags ou diy seja besteira, não é isso. A questão é que fugir disso é muito importante e muito válido, porque a internet é cheia de pessoas famintas por informação que acabam acreditando e tomando como verdade coisas “idiotas”.

Por causa disso, depois de muito pensar, resolvi colocar a ideia em prática e criar uma série de vídeos feito para as meninas, por uma menina (eu, no caso). Ainda não tenho muita certeza da regularidade, mas o projeto consiste em vários vídeos contando um pouco mais sobre o feminismo e sobre o papel da mulher na sociedade, coisas que são muito importantes de uma garota saber e lutar junto.

Vou tentar fazer da maneira mais didática possível, estando sempre disponível para mantermos um diálogo muito aberto e legal (: Queria lembrar que: esse projeto é pra todas nós. É uma maneira de eu “ensinar” o pouquinho que eu sei sobre o assunto e, consequentemente, aprender!

Já tenho um vídeo gravado, que entrará em breve. Até lá, deixo vocês com esse vídeo, que é uma explicação do que o It’s Girls’ Time é!

Só reforçando o recado: assinem o canal e divulguem… Pode parecer bobo para vocês, mas tenho certeza que nosso “tempo” juntas pode ser muito valioso para algumas pessoas que estão precisando se empoderar um pouquinho! Também queria pedir para que deixem perguntas e sugestões, isso pode parecer “bobo”, mas vai me ajudar MUITO mesmo! O feedback de vocês é sempre muito importante, ou vai parecer que “estou falando sozinha”.

Lembrem-se: o It’s Girls’ Time é o nosso tempinho para conversar sem sermos interrompidas e/ou julgadas. Então aproveitem esse espaço de girls power!

Mil beijos :*

linha

Me acompanhe também em: 
Fanpage  Instagram Youtube  Twitter  Bloglovin’  Newsletter!