Convivendo com a ansiedade

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“A gente nunca sabe o dia de amanhã”, uma das frases que minha vó sempre diz  pra ilustrar como as coisas vão além do nosso controle e nem sempre podemos ter certeza como vai ser o desenrolar da nossa história. E, na minha opinião, essa é a frase que sintetiza viver com um problema psicológioco.

A gente nunca tem certeza de muita coisa. Não dá pra saber direito se amanhã vai ser um dia bom, ou se vai ser um dia daqueles, aqueles dias que cada minuto é um desafio à ser enfrentado. E o pior é que os desafios não são externos. Não é um morro pra subir, ou uma parede pra quebrar. Os obstáculos estão dentro de você e nem sempre dá pra se entender muito bem e, principalmente, lutar contra você mesmo.

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A vida inteira encarei “ser ansiosa” como uma característica minha, do mesmo jeito que dizem que alguém é alto, bonito, tem olho azul, é engraçado,…, Ou seja, a ansiedade era mais uma dessas coisinhas que me definiam, assim como meus olhos escuros ou minhas sobrancelhas marcadas. Mas não é muito bem assim que funciona, estar ansiosa com alguma coisa muitas vezes pode ser um sentimento gostoso, mas há algum tempo descobri que não era exatamente o que acontecia comigo.

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Eu fui realmente diagnosticada com Transtorno de Ansiedade Generalizada há menos de um ano, mas essa “condição” me acompanha há mais tempo que posso calcular. Por muito tempo achei que minha falta de vontade de sair ou a necessidade que sentia de ficar deitada era preguiça, mas hoje eu entendo que eu tenho uma doença que às vezes tira aquela energia vital que nós temos (e em alguns casos, é por isso que eu me afasto do blog).

Nós não falamos sobre doenças mentais, é algo que a sociedade não perde um tempinho pra falar sobre. Hoje, eu não tenho problema em falar que eu tenho uma doença mental, mas eu vejo na cara das pessoas um “susto” toda vez que eu falo disso. Ter alguma doença mental, é igual a ter qualquer doença física. Não podemos continuar tratando quem sofre com algum problema psicológico diferentemente de como tratamos alguém que tá doente (fisicamente). Não é fingimento, não é “drama”, não é ser “fraco”. Nós sabemos que tem gente muito pior que a gente, que devíamos ser gratos por não estarmos passando fome, por temos uma cama, um trabalho, etc e etc… Infelizmente, ainda nos sentimos mal.

Não sei se eu já comentei aqui, mas eu tenho um problema gigantesco em me relacionar com pessoas. Eu acho que todo mundo me odeia e que estão falando mal de mim e coisas assim. Eu sempre acabo me machucando por pensar demais e criar histórias em minha cabeça. Posso ter te conhecido há 2 minutos, mas já vou conseguir imaginar milhões de motivos pra você me odiar e inclusive ter uma “história” pra isso. E é simplesmente algo que eu não consigo controlar.

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Eu não tenho uma receita para viver com a ansiedade, porque não estou totalmente dominando essa vida. É super difícil, porque tem dias que eu não quero fazer nada. Eu acho que tenho sorte de ter pessoas do meu lado (principalmente meu namorado) que me ajudam muito e tentam deixar meus dias mais felizes e um pouco menos pesado.

Eu sinto que a sociedade em geral quer uma felicidade 24h por dia. Eu não sou feliz 24h por dia, muito pelo contrário (vamos lembrar até que me identifiquei com a Tristeza no Divertidamente, né?!). E eu não quero reforçar esse “estereótipo” social fingindo que eu sou feliz 100% do tempo aqui no blog. Por isso me sinto obrigada à vir aqui e postar esse textinho e contar um pouquinho mais sobre quem eu sou de verdade.

A gente precisa falar sobre doenças mentais. E precisamos mais ainda aceitar que elas são tão normais como ter alguma doença física. E mais: precisamos entender e cuidar das pessoas que amamos e que sofrem com isso.

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21 comentários

  1. Bruna

    Gigi, nunca cheguei a me consultar para saber se tenho Transtorno de Ansiedade. Mas eu sofro tanto de ansiedade, de uma forma muuuito ruim, nada desse “sentimento gostoso” que você falou que algumas pessoas tem. Sempre achei que sou apenas “pessimista demais” e que sofro demais por antecipação, acreditando que tudo vai dar errado. Também imagino mil histórias na minha mente, sobre as pessoas não gostarem de mim. Faço isso com mais frequência quando é com alguém que gosto e quero que essa pessoa também goste de mim. Como se fosse mania de perseguição. Sei lá. Vou procurar saber mais sobre esse transtorno. beijo

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    1. Giovanna

      É Bruna, alguns sintomas batem com o que você disse. Acho que não custa ir em um médico se isso te incomoda (e pelo o que você disse incomoda, né?!). Beijos

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      1. Bruna

        E como. Criei alguns métodos para camuflar isso. Mas é só por fora que aparento tá ok. Dentro de mim é uma loucura.

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  2. Sara

    Bem, identifiquei-me tanto com este texto que ele até podia ter sido escrito por mim! Não sei se sofro do Transtorno da Ansiedade Generalizada, mas a verdade é que a ansiedade é uma constante no meu dia-a-dia! E por muito que possa parecer uma “frescura” para quem não tem de lidar com ela, a ansiedade é exaustiva… E ainda por cima alia-se à insegurança (é o que eu chamo ao pensamento constante de que toda a gente que não nos conhece nos odeia/julga/qualquercoisademal) e torna-se um desafio do caraças! Pior ainda, é quando a preguiça decide interferir também, a culpa junta-se à festa e a ansiedade aumenta exponencialmente… Enfim, há que ir aceitando os dias menos bons e ir aprendendo a lidar com isto da melhor forma possível! Boa sorte nesta luta :)

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  3. Maki

    Gigi, você é incrível sabia? Eu me identifico MUITO com tudo o que você falou. Além de ter sido diagnosticada ano passado com Transtorno Depressivo, eu lido com transtorno de ansiedade crônica também e sei exatamente como é não ter vontade de fazer nada e achar que todo mundo está pensando alguma coisa ruim de você o tempo todo. Já até falei um pouco disso no blog (http://desancorando.com.br/2015/02/26/era-uma-vez-um-cachorro-preto/)
    Mas ó, eu tô aprendendo a lidar com isso também e concordo que esse assunto tem que ser muito discutido porque o preconceito com as doenças mentais machuca muito mais do que todo mundo imagina… Como alguém que já tentou o suicídio mais de uma vez, sei bem como esse silêncio é perigoso.
    Eu tenho certeza que, como eu, você vai aprender a lidar com isso da melhor maneira possível (você já está fazendo isso!) e que tudo vai ficar bem. A gente é forte, tem capacidade de viver uma vida maravilhosa e sem essa sombra!

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  4. Katharine Padilha

    Nossa Gigi, acho que esse foi o post que eu mais me identifiquei na vida. Sabe que eu nunca fui num médico para me consultar? Mas tenho certeza 100% que eu tenho esse transtorno. Ansiedade, estresse, fazem parte da minha vida desde de muito nova. Mas como minha mãe é igualzinha, eu meio que tento levar. Acabo indo ao médico apenas quando esse problema gera outros, como doenças físicas. Mas estou levando. Estamos! Fico feliz por você ter seu namorado pra te ajudar! Aqui em casa a minha mãe lida com o dela e com o meu, sou uma péssima filha (eu sei). Adorei que você abordou esse tema aqui! Eu sempre quis falar a respeito mas não sabia como. Beijos <3

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  5. Gabi

    Gigi, me identifiquei muito com esse post! Sofro de ansiedade como consequência de uma doença neurológica (síndrome de tourette) e sei como é difícil ter uma mente que não descansa em hora nenhuma do dia. Passo muito por isso de achar que as pessoas não ~gostam de mim~ ou que eu nunca me encaixo em um plano de amigos, sei lá… Mas vou levando. A gente só não pode desistir!

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    1. Giovanna

      Sinto muito por você ter que passar por isso, mas espero que você esteja ok! Sinta-se abraçada, viu? Estou aqui para conversarmos e dividirmos nossas aflições <3

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  6. Juliana

    Gigi, nunca ouvi falar disso, mas acho que meus pais, minha irmã e eu, todos temos isso :O
    Falando por mim, no meu ano de vestibular eu fiquei desesperada em todas as provas que fui fazer, eu chorava, tremia e tivi muita diarréia, foi horrível. Também encontro muita dificuldade de me relacionar com as pessoas, tenho pavor em ser “apresentada” para alguém e quando estou em lugares públicos tenho a sensação que vou tropeçar e cair a qualquer momento. É um desespero! Também não gosto de sair de casa e por mais que eu tente me enganar, é porque não gosto de sair com as pessoas mesmo :(
    Triste vida. Vou procurar me informar e tratar melhor disso. Ótimo post, me ajudou muito. Beijos.

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  7. Renata

    Oi Gi, foi quase como sentir um abraço lendo esse post, sabia? Eu penso como você e tenho muitos problemas em me relacionar com pessoas por isso. Há pouco mais de um mês comecei um tratamento médico, mas há pouco mais de uma semana desisti de novo. É complicado, eu sei que devia estar lá, mas não consigo por enquanto. E ler seu texto foi muito importante hoje. Obrigada! É muito importante falar sobre isso porque assim podemos até mesmo parar de nos julgar achando que é só com a gente que isso acontece.
    Beijos <3

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  8. Ana Rodarte

    Gigi, olha só: seu texto é lindo! Ouvindo um podcast do Cinema com Rapadura sobre Divertida Mente, eu ouvi algo bem legal: quando crescemos, nós aprendemos a lidar com a presença da tristeza. Quando somos pequeninos, é a Alegria que domina, estamos encantados com tudo. Mas daí vêm as experiências, as mudanças…e isso não quer dizer que você jamais será feliz. Eu sou bastante ansiosa também, mas não fui diagnosticada, então acho que meus sintomas não são tão fortes. Mas sabe, o seu trabalho é lindo, e você não precisa estar feliz todo o tempo. A felicidade é também sobre lidar com esta diversidade de sentimentos, e driblar os momentos em que a gente sente nada. Porque o pior disto tudo é a auto-sabotagem, e eu faço isto bastante :( Ainda estou desenvolvendo mecanismos para superar, porque eu vivo me diminuindo. Um abraço enorme.

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  9. BA MORETTI

    caiu uns ciscos aqui viu j_j e fiquei querendo te abraçar, abraçar esse texto… a gente tá tão acostumada com essa necessidade que criam de estarmos felizes all fucking time que quando caímos em crise ainda fica parecendo que a culpa é nossa. tenho sentido uma necessidade tão grande de falar sobre essas coisas, de pôr pra fora todos esses feelings que eu tô tão acostumada a esconder… sabe, eu sei que é super difícil desconstruir tudo isso e aceitar nossos medos. é uma luta diária né? mas me dá um quentinho no coração ver que é possível ♥

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  10. Chell

    Sabe, ultimamente tenho pensado em ir num terapeuta/psicologo pra ver isso. Sempre achei que minha ansiedade fosse normal, que todo mundo é assim, mas estou começando a achar que não. Sou que nem você, eu acho que todo mundo me odeia e que estão falando mal de mim e coisas assim O TEMPO TODO. Então eu sempre falo muito mas depois fico bolada achando que falei merda, que vão me odiar pra sempre, isso é só uma dessas coisas. =/ te entendo viu, e é complicado se sentir assim.

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  11. Thamires Oliveira

    Oi Gigi, gostei de ler este texto, porque mostra que você está sabendo lidar com suas dificuldades. Não sou diagnosticada com Transtorno de Ansiedade, mas passo por algumas situações parecidas. O incrível é que quanto mais nos conhecemos, nos mínimos detalhes, mais fácil conseguiremos lidar com nós mesmo e com nossas singularidades.
    Realmente precisamos falar mais sobre a saúde mental e que bom ver que começou por algum lado! ♥

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  12. Ana Paula Camina

    Texto maravilhoso! Sim, todo mundo deveria falar sobre doenças psicológicas com mais naturalidade. Outro dia discuti com alguém da família que falou sobre uma pessoa com depressão como se fosse um fricote. E eu falei: É uma doença! Espero que você nunca precise passar por isso e ouvir de pessoas como você essas coisas absurdas!
    Acho que essa pessoa ficou chateada comigo, mas fazer o que?
    Eu tenho os meus problemas e sei que um psicólogo fará diferença, então estou procurando um pra me resolver também.

    Desejo do fundo do coração melhoras pra você! Baby steps, um dia após o outro.

    <3

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  13. Juliana

    Oi, Gigi
    Me identifico com vc em várias coisas, inclusive sobre a Tristeza do Divertidamente :P
    Nesse último ano tenho pensado bastante sobre o porquê desses sentimentos que as vezes batem, e uma das coisas que me ajudou bastante foi entender melhor o meu tipo de personalidade. Tem esse teste que chama Myers-Briggs que apresenta 16 tipos e explica as características de cada um. O legal é ver que as pessoas percebem o mundo de maneira diferentes, e tudo bem :) Quem sabe te ajuda também! http://www.16personalities.com/br/teste-de-personalidade
    O meu tipo é o INFJ e gostei bastante de aprender mais sobre, até pra aprender a relaxar um pouco e me aceitar mais! Nesse site tem os tipos bem explicadinhos http://www.truity.com/personality-type/infj
    Boa sorte!

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    1. Giovanna

      GENTE, amei muito isso, sério, obrigada. A minha é ENFJ-T e eu fiquei surpresa com como tudo bateu! Adorei, obrigada <3

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  14. Júlia

    Conheci seu blog agora, o título do post me chamou a atenção pois sou uma pessoa muito ansiosa. Me identifiquei muito com o texto. É exatamente o que eu sinto. Sofro por antecipação, sou pessimista, tenho dificuldade de me relacionar com as pessoas pelo simples fato de achar que elas me odeiam. Desconfio que todos falam de mim pelas costas e o pior: acabo me afastando e afastando as pessoas de mim. Fico mal humorada quando estou no meio de pessoas e o único lugar no qual consigo pensar é a minha cama. Parece que esse texto foi escrito por mim em uma espécie de desabafo. Obrigada por escrevê-lo, de coração.

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    1. Giovanna

      Bem vinda, Jú! Você faz algum tipo de tratamento, porquê pode te ajudar um pouco. Foi assim que eu melhorei e tô bem, até. Claro que tem uns dias que são mais complicados, mas tô levando!

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  15. Maria Tereza

    Gigi, também sofro com a ansiedade, e descobri há um pouco mais de um ano que o que eu sentia não era algo “normal”. Sempre acreditei ser uma característica minha, assim como você, e só quando isso começou a afetar a minha saúde física que procurei ajuda. Busco sempre falar sobre o assunto com as pessoas, para que elas não esperem o tempo que esperei pra descobrir que era uma doença, e também para respeitar e tentar entender conhecidos que também sofrem com esse transtorno. Hoje, após um pouco mais de um ano fazendo terapia, já me sinto muito melhor, mesmo ainda tendo aquele medo de que os dias mais difíceis voltem. Obrigada por compartilhar sua história com a gente, é importante que as pessoas entendam que ansiedade não é preguiça, e que a todo o tempo estamos lutando para realizar nossas atividades normalmente.
    Beijos

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    1. Giovanna

      Obrigada você por dividir sua história comigo <3 Cada dia é um dia pra ser enfrentado, mas sei que vamos conseguir! :*

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